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terça-feira, 28 de julho de 2009

História e Jogo do Kim


A História do Kim
Extracto do livro "Escotismo para Rapazes", de Lord Baden-Powell
Palestra de Bivaque Nº1 - "As aventuras de Kim"

"Um bom exemplo daquilo que um Escuteiro pode fazer encontra-se na história do Kim, da autoria de Rudyard Kipling.
Kim, ou, para lhe darmos o nome completo, Kimball O’Hara, era filho de um sargento de um regimento irlandês da Índia. O pai e a mãe morreram-lhe quando era criança e ele ficou entregue aos cuidados de uma tia.
Por companheiros tinha só rapazes indígenas e pôde, assim, aprender a falar a língua deles e a conhecer todos os seus costumes. Ele e um velho sacerdote ambulante tornaram-se grandes amigos e juntos percorreram todo o norte da Índia. Um dia, Kim encontrou por acaso o antigo regimento do pai, em marcha, e quando fazia uma visita ao acampamento foi preso por suspeita de furto. Encontraram-lhe a certidão de nascimento e outros documentos e o pessoal do regimento, vendo que ele lhe pertencia, tomou conta dele e mandou-o educar. Mas, todas as vezes que conseguia ir passar férias fora, Kim vestia-se à moda indiana e andava entre os indígenas como se fosse um deles.
Passado tempo conheceu um certo Lurgan, negociante de jóias antigas e de curiosidades, o qual, devido ao conhecimento que tinha dos indígenas, pertencia aos serviços de informação governamentais.
Este homem, descobrindo que Kim conhecia tão bem os hábitos e costumes indígenas, viu que ele poderia vir a ser um elemento valioso dos serviços de informação. Deu-lhe por isso lições sobre a maneira de observar e fixar pequenos pormenores, coisa muito importante na preparação de um explorador.

Preparação de Kim
Lurgan começa por mostrar a Kim uma salva cheia de pedras preciosas de variedades diferentes. Deixou-lhas ver durante um minuto, depois cobriu-as com um pano e perguntou-lhe quantas e que qualidade de pedras vira. A princípio Kim não conseguia lembrar-se senão de algumas, e não sabia descrevê-las com exactidão, mas com alguns ensaios não tardou a fixar tudo muito bem. E o mesmo se fez com muitas espécies de objectos.
Por fim, depois de ter aprendido muitas outras coisas, Kim foi nomeado agente do serviço secreto, e recebeu uma senha secreta – a saber, um medalhão ou distintivo para trazer ao pescoço e uma curta frase que, dita de certo modo, indicava que ele pertencia ao serviço.

Kim nos Serviços Secretos
Uma vez que Kim viajava de comboio encontrou um indígena que estava muito ferido na cabeça e nos braços. Explicou ele aos outros passageiros que tinha caído de uma carroça quando se dirigia para a estação. Mas Kim, como bom escuta, notou que os ferimentos eram fundos e não apenas esfoladelas, como seriam se tivesse caído do carro, e não o acreditou.
Enquanto o homem apertava a cabeça com uma faixa, Kim reparou em que ele trazia um medalhão como o seu, que por isso lhe mostrou. O homem introduziu logo na conversa algumas palavras secretas e Kim respondeu com os devidos termos. O desconhecido retirou-se depois com Kim para um canto e explicou-lhe que estava a desempenhar uma missão secreta, e fora descoberto e perseguido por inimigos que quase o mataram. Provavelmente sabiam que ele ia no comboio e, portanto, haviam de telegrafar aos amigos ao longo da via férrea a preveni-los da sua ida. Precisava de comunicar certa informação a um oficial da polícia e evitar que os inimigos o apanhassem, mas não sabia como havia de consegui-lo, se estes estivessem já prevenidos da sua vinda. Kim resolveu-lhe o problema.
Há na Índia muitos mendigos sagrados que vagueiam pelo país. São tidos por muito santos e toda a gente os ajuda e lhes dá esmolas e de comer.
Andam quase nus, cobrem-se de cinza e pintam na cara certos sinais. Kim lembrou-se, por isso, de disfarçar o homem de mendigo. Para isso, misturou farinha e cinza que tirou de um cachimbo, despiu o amigo e esfregou-o todo com a mistura. Também lha aplicou nas feridas, de modo que estas não se notavam. Finalmente, com o auxílio de uma pequena caixa de tintas que trazia consigo, traçou-lhe na testa os sinais apropriados, e puxou-lhe o cabelo para baixo, para lhe dar o aspecto desgrenhado e hirsuto do de um mendigo e cobriu-lho de pó, de modo a que a própria mãe não seria capaz de reconhecer o disfarçado.
Daí a pouco chegaram a uma grande estação. No cais descobriram o oficial da polícia a quem se devia fazer a comunicação. O mendigo disfarçado foi de encontro ao oficial, que o descompôs em inglês. O mendigo respondeu-lhe com um rosário de insultos na língua indígena, no meio dos quais introduziu as palavras secretas. O oficial logo percebeu por elas que o mendigo era um agente. Fingiu que o prendia e levou-o para a esquadra policial, onde lhe pôde falar à vontade e ouvir o que ele tinha a dizer-lhe.
Mais tarde Kim conheceu outro agente dos serviços – indígena educado – e pôde prestar-lhe valioso auxílio na captura de dois oficiais que faziam espionagem.
Estas e outras aventuras de Kim merecem bem ser lidas, porque mostram quais os valiosos serviços que um jovem explorador pode prestar ao seu país em ocasiões de emergência, se estiver devidamente preparado e for suficientemente inteligente."

O Jogo do Kim
Extracto do livro "Escotismo para Rapazes", de Lord Baden-Powell
Palestra de Bivaque Nº11

"Colocam-se vinte ou trinta objectos pequenos numa salva, mesa ou até no chão, tais como dois ou três tipos de botões diferentes, lápis, rolhas, farrapos, nozes, pedras, facas, cordel, fotografias – o que se puder encontrar – e cobrem-se com um pano ou casaco. Faça-se um lista destas coisas e uma coluna em frente desta lista para as respostas de cada rapaz.
Depois descobrem-se os objectos durante um minuto marcado pelo relógio, ou enquanto se conta lentamente até sessenta. A seguir cobrem-se outra vez.
O árbitro retira-se depois com um rapaz de cada vez, que lhe enumera em voz baixa os objectos de que se lembra – ou manda-o escrever os nomes – que se apontam na folha do registo.
O rapaz que se lembrar de mais sai vencedor."

Pode-se variar o Jogo do Kim acrescentando outros sentidos como o paladar e o olfacto. Tendo o escoteiro os olhos vendados, terá de adivinhar de que alimentos ou substâncias se tratam.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ficha de Cargo | Guia de Patrulha



O guia tem o papel mais importante na patrulha. Cabe-lhe orientar os seus elementos, motivá-los e formá-los, para que todos os elementos desenvolvam as suas capacidades, e em conjunto, tornem a patrulha melhor. Não menos importante, tem o dever de responder perante o conselho de guias, a chefia da divisão e outros chefes de grupo sempre que chamado para esse efeito.
O guia é eleito por toda a patrulha e deverá ter o acordo da chefia, para o desempenho do seu cargo.

Funções do guia de patrulha:

  • Toma decisões, em conjunto com a patrulha, sobre as actividades da patrulha e da Tribo;
  • Dá formação à sua patrulha sobre temas relacionados com o progresso escotista, ou do interesse dos elementos da patrulha;
  • Orienta as reuniões de patrulha, garantindo que todos os elementos contribuem com ideias e opiniões sobre os temas em debate;
  • Estimula ideias junto dos elementos da sua patrulha e em conselho de guias;
  • Conhece o funcionamento de todos os cargos da sua patrulha, de forma a poder dirigir o seu funcionamento de forma mais eficiente, e caso seja necessário, dar formação aos elementos que assumam novas funções;
  • Dá o exemplo junto dos seus elementos e de todo o grupo, respeitando o Compromisso e a Lei do Escoteiro;
  • Contribui para a resolução de problemas na sua patrulha, recorrendo à chefia quando necessário;
  • Representa a patrulha no Conselho de guias;
  • Participa no conselho de guias, de forma a coordenar as actividades das patrulhas e divisão, e transmitindo as opiniões da sua patrulha;
  • Responde perante o chefe de divisão, ou outros, sempre que necessário;
  • Incentiva a pontualidade, a correcta utilização do uniforme de escoteiro e a arrumação do canto de patrulha.

Dicas

  • Como deves preparar uma reunião de patrulha:

As reuniões de patrulha devem ser um espaço de debate e de geração de ideias, que permita resolver problemas de patrulha, investigar ideias para actividades, de patrulha ou de tribo, e organizar actividades de patrulha.
Antes da reunião é necessário perceber se a esta vai servir para falar de assuntos do dia-a-dia da patrulha, ou se trata de planeamento (de uma actividade, do trimestre, do ano).
Sabendo qual é o objectivo da reunião, deves pensar nos assuntos serão falados e fazer uma ordem de trabalhos, escrevendo-a no teu caderno de caça. Normalmente existem dois tipos de assuntos: correntes e pontuais. Os assuntos correntes referem-se a temas associados ao normal funcionamento da patrulha (quotas, relatórios, …), e os temas pontuais a situações extraordinárias, como é o caso da definição de propostas para o programa anual ou trimestral da divisão.

Exemplo de uma ordem de trabalhos:

  1. Actividade de patrulha
    - Apresentação de ideias
    - Eleição de ideias
    - Decisão do local
    - Distribuição de tarefas
    - Redacção do programa da actividade
  2. Contas da patrulha
    - Apresentação das contas
    - Ideias para angariação de fundos
  3. Escalpes
    - Decidir quando é feita a cerimónia de entrega

É também importante que garantas que todos os teus elementos vão estar na reunião, pelo que os deves avisar antecipadamente. Se o objectivo for apresentar ideias deves pedir-lhes que pensem no assunto para que na reunião tenham algum "trabalho de casa" feito.
Já na reunião deves começar por apresentar o objectivo e os assuntos de que vão falar, e depois seguir os vários pontos. É importante que todos os elementos da tua patrulha dêem opinião e sejam ouvidos.
No final da reunião deves sumarizar as conclusões a que chegaram, e toda a reunião deverá constar numa acta, o Guião de Reunião, a elaborar pelo secretário da patrulha.

  • Formação aos elementos da tua patrulha:

O mais importante para poderes dar formação é perceberes quais são as necessidades dos teus elementos, ou seja, quais as provas que eles necessitam de aprender, ou os temas que tu e a tua patrulha querem desenvolver.
Tendo identificado as necessidades da tua patrulha é importante avaliares se tens, ou não, conhecimentos para poderes ser tu a dar formação. Se sentires que não tens capacidade para instruir a tua patrulha deves pedir ajuda, por exemplo, ao teu dirigente, a um escoteiro mais velho, a um caminheiro, ou mesmo a alguém fora do grupo (neste caso tens sempre que falar com o teu chefe, até porque te pode ajudar a identificar alguém que perceba bem o tema).
Assim que tiveres identificado o tema tens que preparar a tua formação. Se for uma coisa prática deverás garantir que tens todo o material e condições, para poderes exemplificar e praticar com os teus elementos. Se for um tema teórico, é importante fazeres alguma pesquisa e preparar informação escrita, para que os teus elementos possam olhar para a informação mais tarde.
No final da formação deves perguntar aos teus elementos se compreenderam o tema e se têm dúvidas, e se tiverem, esclarecê-las.

Funcionamento de um Grupo de Escoteiros

Um Grupo de escoteiros divide-se em 4 divisões etárias, sendo dirigido pela Chefia.
Assim, cada grupo tem 5 divisões:

Alcateia - 7/10 anos
Tribo de Escoteiros - 10/14 anos
Tribo de Exploradores - 14/17 anos
Clã - 17/21 anos
Chefia - 18/45 anos




Cor: amarelo
Lema: "O melhor possível"
Enredo: O Livro da Selva
Uniforme: os lobitos usam camisa verde; calções castanhos; quico verde e jarreteiras amarelas.
Pequenos Grupos: Bandos Mistos com o nome de uma das cores da pelagem do Lobo (Preto, Branco, Castanho, Cinzento ou Ruivo). Os lobitos têm um triâgulo da cor do seu bando na manga esquerda da camisa.
Cargos: existe um Guia e um Sub-Guia em cada bando, identificados por duas e uma fita amarela na manga esquerda da camisa, respectivamente.
Chefes: São chamados de Velhos Lobos, e os seus nomes são Aquelá, Balú e Baguera.
Actividades: as grandes actividades de alcateia são chamadas de Caçadas.
Progresso: 1.ª estrela; 2ª estrela; Lobito Alerta.
Curiosidades: cada lobito que entra na Alcateia tem de escolher o seu Nome da Selva. Deverá escolher o nome de um animal mais pequeno que um lobo (para conseguir entrar no Covil!) e será sempre chamado por este nome.
Alcateia 122: A nossa alcateia chama-se Alcateia da Jangal.




Cor: verde
Lema: "Sempre Pronto"
Enredo: Tribos Indígenas
Uniforme: os escoteiros usam camisa creme; calções castanhos; BP e jarreteiras verdes.
Pequenos Grupos: Patrulhas Masculinas ou Femininas com o nome de um animal existente em Portugal. Os escoteiros têm um escalpe com as cores da sua patrulha pendurado no ombro esquerdo.
Cargos: existe um Guia, um Sub-Guia, um Secretário e um Tesoureiro em cada patrulha, identificados por pescadinhas verdes ou distintivos pretos no bolso esquerdo da camisa.
Chefes: Normalmente existe um Chefe e um Sub-Chefe de Tribo de Escoteiros.
Actividades: As grandes actividades são chamadas de Aventuras.
Progresso: 1.ª etapa; 2ª etapa; 3.ª etapa.
Curiosidades: cada escoteiro pode ter um nome de caça. Esse nome associa o seu tótem de Patrulha com uma característica pessoal, como por exemplo: Cágado Veloz. Este nome acompanhará o escoteiro ao longo das divisões seguintes.
Tribo de Escoteiros 122: Tribo Massai




Cor: azul
Lema: "Sempre Pronto"
Enredo: Povos Exploradores
Uniforme: os exploradores usam camisa creme; calções castanhos; BP e jarreteiras azuis.
Pequenos Grupos: Patrulhas Masculinas ou Femininas com o nome de um animal existente em Portugal. Os escoteiros têm um escalpe com as cores da sua patrulha pendurado no ombro esquerdo. Existem também equipas de expedição, de carácter temporário.
Cargos: existe um Guia, um Sub-Guia, um Secretário e um Tesoureiro em cada patrulha, identificados por pescadinhas azuis ou distintivos pretos no bolso esquerdo da camisa.
Chefes: Normalmente existe um Chefe e um Sub-Chefe de Tribo de Exploradores.
Actividades: As grandes actividades são chamadas de Expedições.
Progresso: 1.ª etapa; 2ª etapa; 3.ª etapa.
Curiosidades: na preparação de uma expedição são formadas equipas de expedição com exploradores de diferentes patrulhas. Este método serve para melhorar o trabalho de grupo e é já um passo em direcção ao caminho individual, seguido no clã.
Tribo de Exploradores 122: Tribo Viking




Cor: vermelho
Lema: "Sempre Pronto"
Mística: O caminho
Uniforme: os caminheiros usam camisa creme; calções castanhos; BP e jarreteiras vermelhas.
Pequenos Grupos: No Clã existem as chamadas equipas de interesse, formadas por caminheiros que pretendem preparar e realizar uma ou mais actividades em conjunto. Estas equipas são temporárias, terminando no fim da actividade. Os caminheiros também podem realizar empreendimentos individualmente.
Cargos: O clã tem uma equipa executiva que operacionaliza, em conjunto com o dirigente, a vida de clã. É composta, no mínimo, por um Guia, um Secretário e um tesoureiro. Só o Guia usa distintivo, que são 3 pescadinhas vermelhas no bolso esquerdo da camisa.
Chefes: Normalmente existe um Chefe de Clã.
Actividades: As actividades no clã são chamadas de empreendimentos.
Progresso: 1.ª etapa; 2ª etapa; 3.ª etapa, Escoteiro da Pátria.
Curiosidades: os caminheiros usam uma vara bifurcada, chamada de tronca, que simboliza os diferentes caminhos que podemos encontrar, assim como a importância da escolha.

Chefia

Cor: branco
Lema: "Sempre Pronto a Servir"
Uniforme: os dirigentes usam camisa creme; calções castanhos; BP e jarreteiras brancas.
Cargos: existe um Chefe de Grupo, podendo também existir Sub-Chefes de Grupo. Cada divisão tem normalmente um Chefe e um Sub-Chefe. Além dos Chefes de Grupo e de Divisão, existem ainda os cargos de chefe de Serviços Administrativos, assim como de Colaboradores ou Instrutores. Há também cargos como o de Guarda-Material, Tesoureiro ou Responsável pelo SMU que costuma ser acumulados por Chefes de Divisão. Os chefes são identificados por travincas colocadas no bolso esquerdo da camisa.
Actividades: As actividades de Chefia são chamadas de Missões.
Progresso: Todos os dirigentes frequentam o Curso Preliminar de Formação (CPF). De seguida, devem fazer o Curso Básico de Formação (CBF) da divisão que dirigem. Quando concluem esta etapa recebem a Anilha de Gilwell. Podem ainda fazer a Etapa Avançada de Formação numa divisão ou, no caso de Chefes de Grupo, o Curso de Responsável de Adultos (CRA), sendo que no fim destas etapas recebem o lenço de Gilwell e o colar de cabedal com duas contas de Madeira. Posteriormente, os chefes que o queiram, podem tornar-se Instrutores de Formação (IF) e dar cursos a outros chefes.
Curiosidades: a escola de Formação de Chefes da AEP chama-se ENFIM - Escola Nacional de Formação Insígnia de Madeira.
Chefia 122: Equipa de Chefia Rogério de Castro